Histórias, sonhos e propósitos que conectam milhões de pessoas ao redor do mundo.
Sou curitibana, torcedora do Athlético Paranaense, e já tive a oportunidade de assistir a muitos jogos no estádio. Quem vive esse ambiente sabe que existe algo único, a vibração de milhares de pessoas reunidas por um mesmo objetivo é algo que se sente. É uma energia coletiva que contagia, conecta e movimenta.
E agora, estamos vivendo a Copa do Mundo de Futebol. Além do futebol, sempre me interessaram as histórias que existem por trás dos resultados. E, trabalhando com desenvolvimento de pessoas, liderança e equipes, é impossível não enxergar no esporte exemplos inspiradores de superação, propósito, colaboração e força coletiva.
Assisti ao jogo entre Alemanha e Curaçao e foi emocionante ver a comemoração de Curaçao, mesmo perdendo o jogo por 7 x 1. A emoção não estava no resultado do jogo, estava na conquista de estar ali. Naquele momento, ficou evidente que nem toda vitória está no placar.
A Copa do Mundo nunca foi apenas sobre futebol.
A cada edição, vemos estádios lotados, ruas tomadas por torcedores, famílias reunidas e milhões de pessoas acompanhando cada partida. Pessoas de culturas, idiomas e histórias diferentes conectadas por algo em comum.
A força que surge quando existe um propósito capaz de unir pessoas é impressionante. Por trás de cada jogo existem histórias de pessoas. Atletas que sonharam a vida inteira com aquele momento. Treinadores que dedicaram anos à construção de um projeto. Comissões técnicas que trabalham nos bastidores. Famílias que apoiaram jornadas de esforço, renúncias, vitórias e derrotas.
Cada um vive aquela experiência de forma única, mas todos conectados por um objetivo coletivo. A Copa nos mostra algo que vale para qualquer time, dentro ou fora do esporte: talentos individuais fazem diferença, mas grandes conquistas são construídas coletivamente.
Vemos craques decidindo partidas. Mas também vemos equipes menos favoritas superando expectativas pela união, disciplina, confiança e capacidade de jogar juntas.
Nesta Copa, alguns países disputam o torneio pela primeira vez, entre eles, Cabo Verde, com cerca de 600 mil habitantes, e Curaçao, com aproximadamente 150 mil habitantes. Ainda assim, alcançaram o maior palco do futebol mundial, mobilizando pessoas em torno deste sonho. E por isso algumas histórias emocionam tanto.
Como a do goleiro Vozinha, de Cabo Verde, que aos 40 anos viveu sua primeira Copa do Mundo e se tornou símbolo da realização de um sonho coletivo. Após seu excelente desempenho no primeiro jogo, um movimento de reconhecimento e admiração o levou a 15 milhões de seguidores, mostrando a força da multidão também no mundo digital.
Tivemos momentos de emoção do Dick Advocaat, um dos técnicos mais experientes do futebol mundial, que escolheu liderar Curaçao em sua primeira participação histórica.
Há também algo muito bonito que a Copa nos permite enxergar. Acostumados a olhar para a nossa própria seleção, para a nossa torcida e para a nossa forma de viver o futebol, acabamos tendo a oportunidade de admirar a beleza que existe nos outros povos.
As cores das bandeiras, os cantos nas ruas e arquibancadas, as músicas, as danças, as celebrações, as histórias e tradições que cada país leva consigo fazem com que o mundo inteiro pareça olhar para as diferenças com mais admiração. Talvez porque, quando conhecemos um pouco a história do outro, fica mais fácil admirá-lo do que julgá-lo.
Passamos a vibrar por histórias que nasceram muito longe de nós. Admiramos a emoção de pessoas que nunca vimos antes. E nada disso diminui o amor que sentimos pelo nosso próprio país. Pelo contrário, a Copa mostra que é possível valorizar aquilo que nos representa e, ao mesmo tempo, reconhecer, admirar e respeitar aquilo que representa o outro.
Eu acredito que essa seja uma das maiores belezas, compreender que diferentes histórias, culturas, perspectivas e identidades não precisam nos afastar. Durante algumas semanas, vemos jogadores, equipes, torcedores de diferentes países convivendo, celebrando, cantando e compartilhando experiências.
Em um mundo onde tantas vezes o foco está nas diferenças de uma maneira destrutiva, que gera adversidades e conflitos, a Copa nos lembra que reconhecer e respeitar outras histórias, culturas e perspectivas não enfraquece quem somos.
Porque não é apenas sobre futebol. É sobre sonhos, identidade, pertencimento, pessoas, orgulho, histórias e conquistas não apenas no placar.
É lindo ver a capacidade humana de construir, de vibrar na mesma energia, de torcer, de comemorar, de escolher jogar no mesmo time da vida.
Onde existem pessoas conectadas por um propósito, existe a possibilidade de construir algo maior do que qualquer indivíduo sozinho.
Eu realmente desejo que a força das multidões da Copa permaneça sendo uma força de construção e respeito, no futebol, no esporte, nas famílias, nas empresas. Que existam cada vez mais times fortes, trabalhando por propósitos que promovam o bem, o crescimento coletivo e a construção de um mundo melhor.
Vamos time!!



