O autoconhecimento não elimina o desconforto de certos sentimentos, ele nos permite entender o desconforto e escolher o que fazer com eles.
Com que frequência você escuta frases como estas?
“Eu não Sei”, “Preciso de Ajuda”, “Estou triste”, “Estou com medo”, “Você me ensina a fazer isso?”, “Peço Desculpas”, “O que posso fazer melhor?”, “Não deu certo o que fiz”.
Brené Brown, em seu livro “A Coragem de Ser Imperfeito” fala sobre isso, que a frequência com que ouvimos esse tipo de frase, fala de quanto as pessoas mostram-se vulneráveis. Importante dizer que vulnerabilidade humana, emocional não é fraqueza, bem pelo contrário, é coragem.
“É se expor emocionalmente, é reconhecer para si mesmo e para os outros as suas emoções, baixar as armaduras, enfrentando a incerteza e o risco de se expor. É assumir que é humano, que não é perfeito. Isto não se trata de fraqueza, e sim de coragem”
Quando li este livro de Brené Brown há alguns anos, foi um divisor de águas em minha vida, em como encarar determinadas emoções e sentimentos, e também, foi quando, estruturando a base do “Programa de Líderes” para uma grande empresa, a condição apresentada foi de que pudéssemos levar o olhar para as emoções e a pesquisadora e autora Brené Brown como base da primeira etapa de do desenvolvimento de líderes. O programa foi um sucesso.
Ela segue sendo cada vez mais conhecida, principalmente frente a alta qualidade de suas pesquisas e conteúdos, e o quanto a aplicação de sua linha de desenvolvimento tem transformado pessoas, líderes, times e empresas. E por aqui, ela segue sendo referência nos projetos de desenvolvimento.
Todos nós somos desafiados diariamente, a lidar melhor com o fato de não sermos perfeitos e com o que sentimos. Nas empresas, nos papéis de liderança, também, já que a pessoa líder por ser referência para sua equipe, sem dúvida não quer errar, e isso pode dificultar como ela lida com a vulnerabilidade humana.
Mas quando aceita, por exemplo, que às vezes sente medo, e que é um ser humano, é provável que consiga ter mais escuta, proximidade, cuidado e vínculo com sua equipe, e isso leva a melhor desempenho e resultados de time. Ao buscar na internet, você encontrará dados de diversas pesquisas que mostram esta tendência.
Ao evitarmos olhar para nossos sentimentos, evitamos o desconforto de sentir raiva, medo, tristeza, e até mesmo a alegria, pode ser algo desconfortável. Ao aceitar que o desconforto é real, e que estas emoções existem e não deixaremos de senti-las, é quando podemos diminuir os comportamentos de proteção e a partir do desconforto, encarar e escolher o que fazer com essas emoções que muitas vezes fingimos que não estão lá.
É a partir desse ponto que o autoconhecimento começa a se ampliar, e temos a oportunidade de olhar com mais atenção para o que acreditamos, o que pensamos, o que sentimos e como nossos comportamentos refletem isso.
Podemos encarar com mais autocompaixão os desafios que temos, e isso exige mais olhar para dentro. As agendas cheias do dia a dia, podem ser uma boa desculpa para vivermos no piloto automático, sem prestar atenção em nós, mas é justamente buscando não viver no automático, que o convite deste texto é que eu, você, líderes nas empresas, equipes, seja onde for… possamos respirar fundo e olhar para o desconforto que deixamos de lado, e que quer nos dizer algo importante.
Sem dúvida, se cada um, no seu tempo, e do seu jeito, começar a prestar mais atenção no que sente, poderá ter a oportunidade de escolher o que fazer com isso e consequentemente, começará a viver com mais autenticidade e chances de regular suas emoções e sua vida.
Em treinamentos que conduzo, é comum o convite para os líderes: “Trate você mesmo, como faria com seu melhor amigo. Seja seu melhor amigo!”
Fica o convite aqui também.



