“O mundo que importa para o comportamento é o mundo na forma em que é percebido” (Stephen Robbins)
Percepção. Considero um dos temas fundamentais quando estamos atuando em desenvolvimento de pessoas. E por esta mesma razão, optei por falar um pouco dele aqui.
Em alguns treinamentos que conduzimos na COR, usamos uma imagem similar a esta do quarto acima, um ambiente com elementos diversos, e pedimos aos participantes que digam o que veem. As pessoas olham por alguns segundos e ao retirarmos a imagem da tela, eles começam a descrever o que viram.
Alguém vê um quarto um pouco bagunçado. Outro vê um quarto organizado. Um descreve apenas como um quarto. Tem quem olhe para o excesso de elementos. Tem quem perceba acolhimento. Tem quem perceba solidão.
E o mais interessante é que ninguém está inventando algo. As pessoas realmente enxergam coisas diferentes. A partir daí, começamos uma reflexão sobre percepção e a explorar referências de pesquisas e conteúdos sobre o tema. Uma atividade simples e poderosa.
Entender realmente que a forma como percebemos o mundo não nasce apenas daquilo que vemos. Ela passa pelas nossas histórias, pelas verdades e referências que construímos, pelas experiências que tivemos, pelos ambientes em que crescemos e pelas relações que vivemos ao longo da vida.
O que é organização para uma pessoa pode não ser para outra. O que é cuidado para alguém pode parecer invasão para outra pessoa. O que é objetividade para um pode soar frieza para outro. E talvez uma das partes mais difíceis das relações humanas seja justamente essa: normalmente defendemos a nossa percepção como se ela fosse a realidade absoluta.
No trabalho, isso aparece o tempo todo. Em conversas. Em conflitos. Na forma como interpretamos comportamentos das pessoas que estão conosco. Na maneira como julgamos alguém rapidamente. Na facilidade que temos de enxergar apenas aquilo que confirma o que já pensamos. Na maioria das vezes, não nos afastamos das pessoas apenas pelos fatos, mas pela forma como interpretamos esses fatos.
Apesar de desafiador, existe algo muito rico nisso tudo. E é justamente aí que podemos explorar nossas experiências de amadurecimento pessoal.
Se todos enxergassem exatamente da mesma forma, perderíamos a possibilidade de ampliar nossa visão sobre as coisas. É na diferença das percepções que existe espaço para crescimento, troca e construção coletiva.
Ampliar nossa percepção e dar espaço para o diferente, para o que pode somar, não significa concordar com tudo. Mas talvez signifique desenvolver maturidade para compreender que a nossa forma de enxergar o mundo é apenas uma entre muitas possíveis.
Sustentar diferenças sem transformar tudo em certo ou errado, bom ou ruim. Amadurecer então, também tem relação com isso: conseguir olhar para o outro sem a necessidade imediata de definir quem está certo, mas com curiosidade suficiente para entender de onde aquela percepção nasceu.
Quando conseguimos sair da necessidade de apenas confirmar nossas próprias percepções, abrimos espaço para relações mais maduras, trocas mais profundas, curiosidade e possibilidades que antes não existiam.
E isso também impacta diretamente a criatividade, a inovação e a resolução de problemas no trabalho. Porque soluções e novas ideias dificilmente nascem quando todos enxergam da mesma forma. Elas surgem justamente quando diferentes perspectivas conseguem coexistir e se complementar.
E você, como tem visto o mundo ao seu redor?



