Uma reflexão sobre o filme “O Diabo Veste Prada 2” me levou longe. COMO ESTÁ SUA SAÚDE SOCIAL?

Uma reflexão sobre o filme “O Diabo Veste Prada 2” me levou longe. COMO ESTÁ SUA SAÚDE SOCIAL?

Navegar em redes sociais nos leva a diferentes reflexões sobre assuntos que estão em alta no momento, e o filme “O Diabo Veste Prada 2” é um destes que encontrei em diversos posts nos últimos dias. Se você pesquisar na internet, encontrará fotos dos personagens principais do filme, antes e depois, 2006 e 2026, lições sobre negócios, sobre marketing, sobre liderança, etc., baseadas no filme.

Compartilho aqui um pouco da minha reflexão, a partir da conversa que tive com meu filho ao sairmos do cinema no último sábado.

Em casa, assistimos ao primeiro filme, de 2006, e em seguida fomos ao cinema assistir o filme lançado em continuidade, 20 anos depois. Como falei, estimulada pelo olhar do meu filho de 21 anos de idade, nossa conversa tomou um caminho sobre as diferenças do mundo neste período, das transformações que se deram, muitas em função da tecnologia e de tudo que hoje podemos acessar rapidamente em nossos celulares, sem rituais ou espera.

No filme, em uma conversa entre Andy, interpretada por Anne Hathaway, e Nigel, interpretado por Stanley Tucci, ele explica para ela o que aconteceu com a revista de moda Runway, o que são agora. Ele diz algo mais ou menos assim: “Ninguém lê mais a revista. Agora somos um site, um app… produzimos conteúdo… A Runway foi forçada a recorrer a conteúdo curto e barato e click online para sobreviver”.

Se voltarmos no tempo, vamos lembrar então dos rituais envolvidos em comprar uma revista, alugar um filme, ir a lojas comprar roupas, como única opção, precisávamos sair de casa. Ir até a banca de revistas, ou até a locadora de filmes ou as lojas, e não existia ver, ler ou comprar pela internet em alguns minutos.

Poxa, mas a vida se tornou mais fácil agora, temos tudo literalmente na palma da mão. Mas, ao mesmo tempo, temos deixado de viver o processo ou o ritual, sair de casa para caminhar até a locadora ou até a banca perto de casa e, no caminho, encontrar pessoas, tomar sol ou chuva, cumprimentar os vizinhos, aproveitar para passar na panificadora. Isso tudo, como algo que chamo aqui de “pequenas pílulas de uma vida social”, que hoje não precisamos mais fazer, se não quisermos.

E, junto com esta facilidade de ter rapidamente acesso a tantas informações em nossos celulares, nos deparamos cada vez mais com pessoas que têm “preguiça de gente”, preguiça de socializar. A pandemia, o trabalho em casa, tudo contribuiu para colocar as pessoas, cada uma em seu mundo. Isso sem aprofundar aqui sobre as diferenças entre gerações, pois temos as que já nasceram em um mundo tecnológico e suas referências são diferentes das minhas e do meu filho, que acredito que foi uma das últimas gerações a ir até uma locadora de filmes.

Talvez você esteja pensando: “mas eu não sou assim, eu não faço isso, eu não tenho preguiça de gente”. Que ótimo, aproveite e estimule seus filhos, suas famílias, seus amigos, as novas gerações a gostarem de gente, de entender que o ser humano é um ser social e, mesmo que não pareça, ele tende a adoecer se não dispor de certa energia para as trocas sociais.

E está tudo bem se você for uma pessoa mais reservada, que gosta de ficar em casa, esse não é o problema. Inclusive, ouvi recentemente em uma publicação sobre “isolamento social” que algumas pesquisas mostram que não é a intensidade de contatos e eventos sociais que você tem, é a consistência de estar disponível para trocas rápidas no seu dia, a pessoa que você encontra na rua, um bom dia, um sorriso, uma conversa rápida com alguém que está sempre lá no lugar que você frequenta, no elevador, etc.

Ao estimularmos processos e rituais, que envolvem trocas entre pessoas, estamos falando de cuidar da nossa saúde social, que é uma das preocupações globais, junto com a saúde mental. Temos vivido com altos índices de ansiedade, depressão e outros transtornos, que, sem dúvida, se você colocar uma dose a mais de interações na sua vida e na vida de quem você ama, estará contribuindo para um mundo melhor.

Inclusive, sugiro que volte a investir um tempo para ler não apenas textos curtos, leia um livro, assista um filme, ligue para as pessoas que gosta, ou escreva mensagens sem pedir para a IA escrever por você. Eu sei que é mais rápido pedir para a IA, mas, particularmente, eu tenho deixado de ler muita coisa nas redes sociais, quando rapidamente identificamos sinais de pontuações, estilo de texto e já sabemos que é a IA que escreveu, fica tudo muito igual.

Nosso cérebro precisa estar em funcionamento para se manter ativo e forte, e ler, escrever, conversar são bons exercícios, pena que estão saindo de moda, da mesma forma que aconteceu com a revista da Runway do filme “O Diabo Veste Prada 2”.

Bom, se você leu este texto todo que escrevi, parabéns, você está à frente da maioria das pessoas que, na atualidade, não passam mais de 45 segundos com atenção em um texto como este.

E ao meu filho, agradeço por reservarmos alguns minutos para conversas tão enriquecedoras sobre a vida. A sua perspectiva me ajuda a ampliar muito.

Ahh, sim, eu escrevi este texto, sem ajuda da IA, e fiquei com a sensação de que demorei muito para escrever, mas não, foram alguns minutos digitando em um domingo a noite. O que acontece comigo é que eu faço parte desse mundo, como todos vocês, que está acelerado demais e, por isso, precisamos fazer melhores escolhas de como vivermos.

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